quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DEUS EXISTE? FERNANDO MARTINS FERREIRA

DEUS EXISTE?





Li numa revista de circulação nacional, a entrevista do matemático e professor da Universidade de Temple na Filadélfia (USA), John Allen Paulos. Ele escreveu o livro Irreligion e pelo que pude perceber pela entrevista, é devotado à lógica e onde o autor analisa argumentos tradicionais sobre a existência de Deus e os contesta. Afirma também em sua entrevista, que a “Bíblia é uma grande literatura” e que não se pode dizer que as coisas narradas nela ou em qualquer outro texto religioso sejam verdadeiros.
Creio ser mais um “sabido” a pregar a inexistência de Deus a exemplo de tantos outros. - Não li nem pretendo ler o livro.- Pela entrevista pude analisar Mr. Paulos e antes que seja criticado, assumo que emiti juízo sim. Se falso, paciência, mas ele me pareceu de um cartesianismo ilimitado. Raciocínio puro: penso, logo existo.
Limita-se a explicações mecânicas, aqueles velhos argumentos tendo a Bíblia como alvo principal. Vamos devagar à análise:
Sabemos que o primeiro escritor da Bíblia foi Moisés e o último foi João. Entre Moisés e João houve, portanto, um espaço de 1500 anos. Logo, não se conheceram.
Em Gênesis, encontramos um mundo perfeito, recém criado, depois relata a entrada do pecado, a tragédia. Entre Moisés e João, entre o Gênesis e o Apocalipse, vimos a história da humanidade com suas lutas, quedas, rebeliões etc.
Foram quarenta os escritores da Bíblia. Escreveram em tempos diferentes, estilos diferentes, mas mesmo assim existe uma unidade. Nela existem coisas surpreendentes que aguçam a nossa imaginação. Em Isaias 40:22 lemos: “Ele, Deus, esta assentado sobre a redondeza da terra cujos moradores são como gafanhotos.” Chamo a atenção para “a redondeza da terra”.
Estaria a Bíblia se referindo que a terra era redonda? Ora, sabemos que a ciência afirmava que a terra era plana!!
Só em 1492 Colombo chegou à América provando que ela era redonda.
Os mesmos cientistas que criam na terra plana, afirmavam que ela tinha apenas 6.000 anos de existência. Com certeza eles também não acreditavam em Deus.
Pergunto-me: Como se explica a harmonia e o equilíbrio do universo que se comporta como se fosse um ser vivo? Aliás, está comprovado que ele está em permanente expansão.
A nossa fé vem de uma visão holística. O Universo é um todo. Como explicá-lo sem a existência de Criador? Na dádiva da fé encontramos a verdadeira e divina resposta.
Dizem alguns “estudiosos” que as religiões são filhas da ignorância e irmãs gêmeas da arrogância e da intolerância; isso devido em grande parte creio, pelas desgraças e abusos sofridos pela humanidade.
Vejamos o caso da Igreja Católica Apostólica Romana: Esta, na idade média comandava uma tropa de psicopatas que caçavam com entusiasmo gente com o entusiasmo com que caçariam animais selvagens. O maior divertimento dos pervertidos era julgar, esfolar vivo e queimar na fogueira da “santa inquisição.” Tudo isso em nome da fé, em nome da Igreja e conseqüentemente em nome de Deus. As principais vítimas da “Santa Igreja” eram as mulheres do povo, que lidavam com a sabedoria popular de suas antepassadas e ministravam ao povo suas ervas, folhas e raízes. O que hoje é chamado Fito terapia, antes a Igreja denominava: bruxaria.
Os homens também eram perseguidos. Se contrariassem uma autoridade eclesiástica era considerado hereje e, portanto excomungado, empalado, queimado e todos os seus bens confiscados pela igreja.
Indulgencias plena eram vendidas, obviamente por polpudas quantias e assim o “católico” garantia o seu lugarzinho no Céu.
A igreja como negócio, era tão bom que houve uma época com dois papas. Foi em 1378 por ocasião do grande Cisma do Ocidente. (Papas Clemente VII e Urbano VI) um com sede em Roma outro com sede em Avignon, na França. Isso sem falar nos inúmeros anti-papas que existiram até o século XVI. Na verdade, o trono de São Pedro foi aviltado por anos e anos por papas e outras autoridades eclesiásticas, assassinos, amorais, achacadores sem escrúpulos que mancomunados com tiranos, queimavam pilhavam e estupravam em nome e da “Santa Igreja”
Para se ter uma ideia de como era a coisa, conta-se que D.João V, (1689-1750) Rei de Portugal, acompanhado da família real, da sacada do paço da inquisição, em Lisboa, comiam e bebiam assistindo as vitimas serem jogadas nas fogueiras do Páteo dos Hereges, entre os quais muitas mulheres e crianças. D.João V, teria acendido muitas vezes, em pessoa as fogueiras onde iam ser queimados vivos muitos inocentes dobrados à intolerância dos fanáticos.
Não era bom brincar com os endemoniados chefes eclesiásticos. Só Deus mesmo para livrar o “herege” de suas “santidades”.
Foi um horror, uma vergonha, página negra de nossa história.
Se observarmos outra grande religião, o Islamismo não veremos muita diferença, pois até nos tempos atuais alguns fieis malucos, se transformam em bombas humanas se explodindo em metrôs, shoppings e em vias públicas, matando e mutilando centenas de inocentes. Acreditam os loucos pervertidos, que Aláh e Maomé lhes reservarão após a morte, mil virgens e um lugar no Paraíso. Repete de certa forma, o erro da Igreja católica que vendia indulgencia.
Quantas guerras e quanto sangue derramado em nome de Deus! Quanto ódio!
A humanidade sempre blasfemou (e ainda blasfema) quando usa o nome de Deus para seus intentos malignos. O nome de Deus é usado para guerrear, matar e dominar.
Mas Deus não tem nada a ver com isso! Apesar de tudo, creio que as religiões sejam necessárias, até mesmo para que as relações humanas sejam possíveis. Elas ainda são o freio moral necessário.
Devemos questioná-las sim, colocarmos o dedo na ferida, não deixarmos os fatos cair no esquecimento, até para que elas possam evoluir. Devemos e temos o direito de fazer tudo isso, mas questionar a existência de Deus é um contra senso, posto que o Universo esta aí, harmônico, belo e em constante transformação, como a nos lembrar da presença “Dele.”
Deus esta em toda parte, está dentro de nós e para ouvi-lo basta ouvir o nosso próprio coração. Confesso-me um defensor da fé, sim senhor. Fé “Nele”, no Criador que tudo faz tudo vê e tudo pode.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"GOIABAS BICHADAS" DE FLAVIO MARCUS DA SILVA-(FOTO) O EXCELENTE CONTO PODERIA SE CHAMAR TAMBÉM: CANALHICE EXPLICITA.CONFIRA!



11 - Goiabas bichadas


Na estrada deserta, o carro cortava a noite em alta velocidade. ‘Não acredito que você fez isso’. “O quê?”. ‘Deixar aquela mulher na estrada, sem prestar socorro’. “Mas ela estava morta”. ‘Você não sabe se ela estava morta’. “Como não sei? Sou médico, sei muito bem quando estou diante de um cadáver ou não”. ‘Mas os lábios dela tremiam, os dedos se mexiam’. “Isso é normal. Ela tinha acabado de morrer. Ontem mesmo eu vi uma reportagem no Discovery Channel sobre o Baiacu, aquele peixe que os japoneses adoram.Numa cena o peixinho estava morto numa bandeja, limpinho, as vísceras já postas numa tigela à parte, e ele ainda mexeu a boca três vezes. Com o corpo humano é a mesma coisa”.
‘Mas você tinha que prestar socorro’. “Não tinha nada. Quem disse isso? Os nossos legisladores? Ora, não me faça rir. Prestar socorro a quem? A um corpo?”. ‘Você é responsável pela morte daquela mulher. Tem que pagar pelo que fez’. “Foi um acidente. E acidentes acontecem. O que você quer? Que eu me entregue à polícia? Que eu diga Olha seu policial, eu bebi três taças de vinho com os amigos num sítio aqui perto e ao voltar pra casa, sozinho, atropelei uma mulher que andava de bicicleta no acostamento, e ela morreu.
É isso que você quer? Pra quê?”. ‘Justiça’. “Que justiça? A dos juízes? Dos deputados?”.
‘Você cometeu um crime’. “Não me diga... Eu conheço o Código Penal. Por isso mesmo eu sei que, se eu me entregar, nenhuma justiça será feita. Vou pagar uma fortuna a um bom advogado mercenário, que vai livrar a minha cara em menos de duas semanas. E eu ainda tenho amigos juízes que não pouparão esforços para me ajudar. Só vou ter que aguentar os jornalistas me chamando de canalha em rede nacional, o que me desagrada um pouco. Por isso prefiro facilitar as coisas e deixar tudo como está: ninguém me viu, ninguém anotou a minha placa...”. ‘Eu vi’. “Mas você não conta. Daqui a pouco eu te convenço e nos acertamos. A propósito, é a primeira vez que você me dá trabalho desse jeito. Sempre que você me questiona sobre minhas atitudes e idéias eu te neutralizo em menos de um minuto.
E agora isso... Você se lembra quando eu pedi àquele coitado pra dar um jeito nos pés de pequi e de ipê amarelo da minha fazenda, dizendo que eu me responsabilizaria por tudo caso a polícia o pegasse?” ‘E a polícia o pegou e você jogou a culpa toda nele?’ “Pois é... você entendeu em um minuto que o que eu quis dizer para o coitado foi outra coisa, que foi ele que interpretou errado, achando que era pra cortar as árvores e não era... Foi uma confusão danada”. ‘Então era pra cortar’. “Claro que era. Mas pense comigo... Onde já se viu um médico respeitado como eu, pai de três filhos médicos, de uma família tradicional, ter que prestar contas à polícia e pagar multas por causa de meia dúzia de pés de pequi e dois de ipê?”. ‘Mas o coitado foi preso e teve que pagar multas’. “Ele cortou porque quis.
Eu não o obriguei”. ‘Mas o enganou’. “Isso não importa”. ‘Importa sim’. “Para quem? Para Deus?”. ‘Talvez’. “Eu não acredito em Deus”. ‘Eu sei que não. E tenho nojo de você quando te vejo na igreja, ajoelhado, fingindo rezar, na sua ânsia por respeitabilidade, lustrando a máscara que esconde a sujeira da sua alma. Mas saiba que teus olhos te traem...’. “Não me venha com lições de moral. A vida é um jogo, e só ganha quem sabe jogar. Eu sei jogar. E nesse caso do atropelamento, eu agi corretamente, não tente me convencer do contrário. Ter que enfrentar a polícia, contratar advogado, para no final não acontecer nada. Pra quê? Agi corretamente porque me poupei desse atraso de vida”. ‘Você não pode garantir que não ia acontecer nada’. “Claro que posso. É o que acontece com a maioria dos políticos que roubam e dos médicos que matam e mutilam por descuido e negligência: absolutamente NADA”. ‘Mas cada um tem a sua consciência’. “Olha, vou te dizer uma coisa: conheço um político que já deve ter roubado tanto dinheiro da Saúde, que daria pra construir uns vinte hospitais do câncer no país só com o que ele desviou, salvando a vida de muitas crianças que, por falta de estrutura e tratamento, acabaram morrendo. E eu te pergunto: não seria esse político responsável pela morte de todas essas crianças?” ‘Sim, em tese’. “Pois quero que você o conheça: um coroa bonachão, com uma família que sabe aproveitar bem o que ele rouba: todo mundo montado na grana: filhos, filhas, noras, genros e agregados [parentes e amigos que parasitam o núcleo familiar como sanguessugas, encontrando ali tudo de que necessitam para viver bem: empregos, moradia, comida, festas e vários sacos pra puxar]. E como ele é feliz! Nenhum problema com a consciência, eu posso te garantir. Se ele tiver uma, com certeza está presa numa câmara escura com uma enorme rolha na boca. Diferente de você, minha querida, que vê e fala o que quer e quando quer... Ó minha doce consciência... Como é que eu te aturo? Eu que sou tão perspicaz...”.
‘E a família daquela mulher?’. “A família dela vai sofrer de qualquer jeito, não importa se eu me entregar ou não à polícia. Aliás, penso que ela sofrerá mais se souber que eu me entreguei e não sofri nenhuma punição”. ‘Então é isso’. “Isso o quê?”. ‘Você não vai se entregar’. “Claro que não, que coisa! Mas quero que você fique tranquila, ok? Não suporto consciências pesadas, histéricas, que atormentam a nossa vida com suas lamúrias sem fim: Você não podia ter feito isso, não podia ter feito aquilo: - Ela é sua irmã, você não podia tela enganado pra ficar com o dinheiro só pra você; - Além de sócio, ele era seu amigo, confiava em você; mas você o enganou assim mesmo e deixou a família dele na miséria; -
Você humilhou aquela mulher... ela não merecia isso; - O seu filho tinha que ter conseguido aquela vaga sem o auxílio da sua rede de amizades... Não aguento esse tipo de coisa”. ‘Eu sei’. “Vocês, consciências pesadas, não têm a menor chance neste nosso país de consciências leves ou ausentes. Vocês são como aquelas goiabas suculentas que se deixam perfurar pelas moscas, e depois carregam suas larvas, que se alimentam de vocês até transformarem suas polpas em uma massa podre e imprestável. As moscas são os pensamentos grandiosos que fazem o mundo girar, o dinheiro circular, os grandes impérios surgirem; são as ideias que alimentam o poder, o sucesso e o lucro, que destroem as consciências apegadas a valores retrógrados, atrasados, que só dificultam a vida daqueles que querem vencer, fazendo-os sofrer sem motivo”. ‘Somos então como goiabas bichadas’.
“Isso mesmo: goiabas bichadas”.

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sábado, 24 de setembro de 2011

A MORTE NO PLANETA TERRA- FERNANDO MARTINS FERREIRA

A MORTE NO PLANETA TERRA




“Pode ser necessário que a morte exista, mas ela não poderia ter sido inventada de outra maneira? É necessário deixar atrás de si restos mortais que temos de enterrar ou queimar? Tudo isso é abominável.”
Esse questionamento foi feita por Agnes, personagem de Milan Kundera no seu livro “A Imortalidade”, a um imaginário ser de outro planeta.Devo confessar que inicialmente ri da situação, para logo a seguir dar razão à Agnes. Já que somos energia, coisa que acredito piamente, porque então não nos desmaterializarmos quando tivesse vencido o nosso prazo de validade aqui na terra? Seria tão mais simples! Passei um bom tempo pensando nas inúmeras vantagens da desmaterialização, e cada vez mais me conscientizava de sua vantagem. A saudade continuaria é lógico, mas seria tudo tão limpo, tão clean! Comecei a pensar que Deus poderia ter simplificado esse processo. Cheguei a pensar até no meu epitáfio, logicamente colocado onde eu me desmaterializasse: Fui.... Nos encontramos nas estrelas.
Estava tão convicto que decidi que quando fizesse a passagem iria falar diretamente com as entidades superiores. Haveria de reivindicar e quem sabe meus apelos não chegariam ao criador?- Sim, viajei mesmo!- Mas aí, nesse ponto, lembrei-me da resposta do extraterrestre à Agnes: “É bem sabido que a Terra é uma abominação”
Entendi isso perfeitamente ao ver o jornal da TV da noite: Como somos abomináveis!Um garoto de dez anos atira em uma professora dentro da escola e comete suicídio, é a corrupção que assola o Brasil como uma praga, guerra no Oriente Médio, crianças morrendo de fome na África, escravidão branca e xenofobia na Europa, pedofilia generalizada pelo mundo. Enfim, um caos de virtudes, de moral e porque não de ética?
Abominável Terra!- Pensando bem, a Terra é apenas um minúsculo ponto geográfico de transição nesse maravilhoso universo de meu Deus. Outros locais mais evoluídos certamente existirão e para lá nos dirigiremos, devagar, galgando etapas, nos arrastando, sem nos esquecermos jamais que ainda há pouco tempo, balançávamos nas arvores. Em outro nível atingiremos a desmaterialização para em outro estágio nem mesmo isso ocorrer mais, posto que somos energia pura e possuímos uma alma imortal.
Até lá devemos cumprir o nosso ritual de enterrar e chorar os nossos mortos, deixando resíduos e marcas.
Enquanto isso que tal cuidarmos melhor de nossa evolução espiritual nesse planeta abençoado por Deus?
Ah!... Um dia nos encontraremos nas estrelas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"SUFLÊ DE BACALHAU"- DICA DA SEMANA DO CHEF ERNANE(FOTO). HUMMMM DEU ÁGUA NA BOCA.



Suflê de Bacalhau

Para 4 Pessoas

 400 g de bacalhau demolhado
 l dl de azeite
 2 dentes de alho, picados finamente
 6 pãezinhos (carcaças)
 6 ovos
 Sal e pimenta q.b.
 Pão ralado q.b.

Demolhe o pão em água e depois escorra-o e esprema-o bem. Num tacho, leve ao lume o azeite, junte-lhe os dentes de alho, picadinhos e mexa até alourarem um pouco; misture o pão espremido e as gemas, mexa e deixe aquecer muito bem; rectifique de sal e tempere com pimenta.

Entretanto, leve a cozer o bacalhau, como habitualmente, e escolha-o de peles e espinhas; esmague-o dentro de um pano, como para pastéis de bacalhau e misture-o muito bem no preparado anterior.

Com cuidado, misture depois as claras previamente batidas, com uma pitada de sal, em castelo firme. Unte com manteiga um recipiente que possa ir ao forno, deite nele o preparado e alise. Polvilhe com pão ralado e leve ao forno médio (l60º), cerca de 40 minutos. Quando pronto, retire e sirva de imediato com salada a gosto.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Em "Flores Brancas na noite escura da alma" Flávio Marcus da Silva (foto) nos leva a pensar em um desfecho trágico.Mas o final é surpreendente!! Confira!!


10 - Flores brancas na noite escura da alma



Ele tinha 15 anos. Era magro, feio e triste.
No começo era só o desprezo dos colegas e professores. Ninguém sabia seu nome nem conversava com ele. Suas notas eram medíocres, passáveis, indicando inaptidão e falta de talento, o que o colocava, dentro da classificação estabelecida informalmente pelos diretores e supervisores, no “ponto morto”, naquela posição que, embora não representasse um risco sério para a imagem da escola, não contribuía em nada para o seu engrandecimento institucional, sempre atrelado ao ranking dos colégios e aos primeiros lugares nos vestibulares das grandes universidades de elite.
Ele simplesmente não existia.
Pelo menos até o dia em que se dirigiu à mesa da professora, suando frio e tremendo, mudo, mas implorando ajuda com o olhar aflito e desesperado, com os dedos inquietos abrindo e fechando os botões da camisa; e a mulher, concentrada em alguns trabalhos que corrigia, fingia não tê-lo percebido, como se ele fosse uma peça decorativa surgida do nada, quase invisível.
Enquanto isso, os outros alunos mantinham-se em silêncio, alguns estudando, outros
enviando mensagens pelo celular, desenhando, escrevendo...
Até que, não suportando mais a angustiante espera [ele já estava ali há mais de três minutos], um uivo de agonia saiu do fundo da sua alma, arrancando de seus pulmões e garganta toda a força necessária para devastar a indiferença dos colegas e da professora – e junto com esse grito de horror, um caldo escuro de diarréia explodiu no seu traseiro,
marcando com uma enorme mancha marrom e fétida o tecido claro de sua calça desbotada.
A professora se levantou num salto e agarrou seu braço com força, puxando-o para fora da sala. No corredor, uma funcionária da escola repreendeu-o por não ter ido ao banheiro a tempo, levando-o em seguida para se lavar.
A partir desse dia a indiferença e o desprezo dos colegas se converteram em crueldade. Ele se transformou no alvo principal de todas as chacotas e piadinhas de corredores, e mesmo na sala, durante as aulas, comentários maldosos eram lançados aqui e ali, levantando risos abafados e silêncios constrangedores, sempre sob o olhar tranquilo e distante do professor.
Ele continuou não participando dos trabalhos em grupo e não encontrando ninguém para conversar no recreio, mas não era mais um Zé ninguém, um simples criador de indiferenças, pois os outros o notavam, olhavam para ele e riam – o que, no entanto, feria mais, doía mais, tornando-o cada vez mais amargo e triste.
Festinhas eram organizadas, passeios a fazendas e sítios aconteciam todos os meses e ele nunca era convidado. Seus únicos amigos eram os livros, que ele começou a ler também na escola, durante o recreio, embaixo de um enorme caramanchão, bem afastado do burburinho incessante dos outros adolescentes, que brincavam e conversavam em suas rodinhas.
Mas mesmo em seu refúgio de solidão, às vezes lhe chegavam bilhetinhos ofensivos e zombeteiros, quase sempre trazidos por um garoto vesgo e narigudo, com um leve retardo mental, mas que havia sido aceito pelos outros como uma espécie de mascote, sempre pronto a cumprir as ordens dos líderes do bando ou das menininhas ricas, acostumadas em casa e na escola com paparicos e servilismos.
Um dia, o menino vesgo foi ao caramanchão levando uma pequena caixa de isopor fechada. Disse que era um presente dele, um pedido de desculpas por todos os bilhetinhos que ele havia trazido. Deixou-a ali, em suas mãos, e saiu correndo pelo pátio.
Sua primeira reação foi desprezar a caixa, deixá-la ali mesmo no caramanchão, fechada, intocada, e ir embora. Mas depois de alguns minutos de reflexão, resolveu abri-la. Não se surpreendeu com o que viu; mas diante daquela imagem repugnante, que lhe dizia, em seu silêncio asqueroso “Você é a escória da escória, o estorvo do estorvo: nada”, ele sentiu como se uma noite escura tomasse conta da sua alma naquele exato momento: uma sensação penosa: uma dor profunda revirando as densas sombras do seu ser, que depois se acalmava, para logo em seguida começar de novo – como uma dor de parto, mas na alma, no âmago da sua existência, do seu espírito pisado, massacrado, cuspido.
Deixou ali a caixa cheia de fezes, de diferentes cores e consistências, como se fossem de várias pessoas, e dirigiu-se à saída do colégio, disposto a voltar só dois dias depois, para a realização do seu único e último ato.
Passou a tarde e a noite sem dormir, sem comer, e o dia seguinte todo, se preparando, se organizando, pensando em todos os detalhes do seu plano. Só interrompia o trabalho para ler Walt Whitman, Tolstoi, Edgar Allan Poe, Willian Burroughs e Allen Ginsberg, e para recitar em voz alta trechos de seus poemas preferidos, sobretudo os de Ginsberg em seus momentos mais sombrios: “A ti, Céu depois da morte, Único abençoado no Vazio, nem luz nem escuridão, Eternidade Sem Dias...”. E continuava, arquitetando tudo, escritos e rabiscos jorrando de suas mãos para o papel em jatos contínuos – orgasmos múltiplos de sangue sem interrupção.
Quando entrou na escola vestindo um pesado casaco de lã em pleno verão ninguém achou estranho. Na verdade, ninguém notou nada. Ele sabia que seria assim, por isso não se preocupou. Entrou no banheiro e se trancou num dos boxes sanitários, para aguardar o início das aulas.
Oração da Manhã. Avisos.Vozes e passos em tropel pelos corredores. Silêncio.
Era o momento de agir.
Atravessou o corredor em direção à sua sala com a mão direita enfiada dentro do casaco. A aula tinha acabado de começar. O professor de História continuava seu discurso pomposo sobre a economia capitalista, citando, como exemplos, pais de alunos ricos da classe, grandes empresários da cidade que, juntamente com juizes e políticos, eram ali reverenciados através de seus filhos [a maioria arrogante e estúpida, mas digna de elogios e paparicos simplesmente por serem filhos de quem eram].
Entrou sem pedir licença e se colocou diante da turma, ao lado do professor, que emudecera de susto ao vê-lo se aproximar vestido daquele jeito, com o ar cansado e sombrio, olhos avermelhados, o cabelo despenteado, ensebado. Parecia um louco; mas ninguém se moveu.
Ficaram ali, estatelados, atônitos, estarrecidos, os olhos esbugalhados de espanto, de medo.
Professor e alunos continuaram mudos e estáticos enquanto ele tirava de dentro do casaco um enorme maço de folhas, distribuindo-as, uma a uma, a todos os presentes. Eram centenas de poemas que ele escrevera nos dois dias anteriores, sobre amor, amizade, compaixão, generosidade e humildade; citações bíblicas que mostravam a simplicidade dos ensinamentos de Cristo: o amor ao próximo, o perdão, o desapego às coisas materiais; textos que ele mesmo escrevera sobre a sua própria dor, mas que terminavam sempre com mensagens de esperança e paz.
Ao entregar seus escritos, andando pelas filas de carteiras como se dançasse ao som de uma melodia celestial, ele dava um beijo na testa de cada um de seus colegas, inclusive daqueles que haviam contribuído com a sua cota de matéria fecal para o presente na caixa de isopor.
Dali ele saiu para as outras salas, onde também espalhou seus textos. Pregou-os em todos os murais; lançou-os nos banheiros, na secretaria, na lanchonete, nas quadras, na sala de vídeo, nos laboratórios, deixando, ao final do percurso, depois de tudo distribuído, um manuscrito de trinta páginas [encadernado em capa dura] embaixo do caramanchão – o velho e solitário caramanchão, que o acolhera como um amigo durante todo o tempo em que ali viveu sua solidão junto aos livros, e que naquele dia florescia com uma exuberância jamais vista: cobria-se de flores brancas e ternas que, brilhando ao sol, pareciam querer ilustrar o título da primeira e última obra daquele jovem e triste poeta: “Flores brancas na noite escura da alma”.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"PRECE ÁRABE"- QUE SUA SEMANA SEJA ABENÇOADA!

PRECE ÁRABE



DEUS NÃO CONSINTA QUE EU SEJA O CARRASCO QUE SANGRA AS OVELHAS NEM UMA OVELHA NAS MÃOS DO CARRASCO

AJUDA-NE A DIZER SEMPRE A VERDADE NA PRESENÇA DOS FORTES E JAMAIS DIZER MENTIRAS PARA GANHAR OS APLAUSOS DOS FRACOS.

MEU DEUS!
SE ME DERES A FORTUNA, NÃO ME TIRES A FELICIDADE!
SE ME DERES A FORÇA, NÃO ME TIRES A SENSATEZ.
SE ME FOI DADO A PROSPERIDADE, NÃO PERMITA QUE EU PERCA A MODÉSTIA, CONSERVANDO APENAS O ORGULHO DA DIGNIDADE.

LEMBRA-ME QUE A EXPERIENCIA DE UM FRACASSO PODERÁ PROPORCIONAR UM PROGRESSO MAIOR

SE ME TIRAR A FORTUNA, DEIXA-ME A ESPERANÇA.
SE ME FALTAR A BELEZA E A SAÚDE, CONFORTA-ME COM A GRAÇA DA FÉ.

Ó DEUS!
FAZ-ME SENTIR QUE O PERDÃO É O MAIOR INDICE DA FORÇA E QUE A VINGANÇA É PROVA DE FRAQUEZA.
E QUANDO ME FERIR A INGRATIDÃO E A INCOMPREENSÃO DOS MEUS SEMELHANTES
CRIA EM MINHA ALMA, SENHOR, A FORÇA DA DESCULPA E DO PERDÃO.

E FINALMENTE SENHOR,
SE EU DE TE ME ESQUECER, TE ROGO, MESMO ASSIM, NUNCA TE ESQUEÇAS DE MIM!

Traduzido do árabe por: SEME DRAIBE

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BACALHAU EM PRATA COM PRESUNTO CHEF ERNANI (FOTO)


Bacalhau em Prata com Presunto

Para 1 Pessoa

 posta de bacalhau do lombo
 0,5 dl bem medido de azeite
 l cravinho
 dentes de alho
 1 cebola
 l folha de ]ouro
 1 raminho de salsa
 1 fatia de presunto
 1 folha de papel de alumínio

Corte a folha de papel alumínio à medida da posta de bacalhau e coloque-a sobre um tabuleiro; dê-lhe forma côncava, deite-lhe dentro um pouco do azeite e coloque depois o bacalhau enxuto, o cravinho e um dente de alho; regue com mais um pouco de azeite.

Embrulhe o bacalhau com cuidado para que as espinhas não furem o papel e leve ao forno a 200º, cerca de 15 minutos. Entretanto, descasque a cebola e corte-a às rodelas; leve-as a fritar no restante azeite quente com o outro dente de alho, picado, a folha de louro e o raminho de salsa. Frite igualmente a fatia de presunto. Retire o bacalhau do forno e, com cuidado, desembrulhe-o. Coloque-o num prato de serviço. Por cima, disponha a cebola frita e, ao lado, o presunto.

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